No começo do século vinte começamos a perceber a correlação entre episódios de infecção e o aumento de eventos cardiovasculares. Essa constatação veio de forma observacional após a pandemia por influenza H1N1 e pela constatação de que o risco de risco de infarto pode aumentar em até 8 vezes após um quadro de pneumonia. A explicação passa pela possível agressão direta por vírus e bactérias à parede dos vasos sanguíneos levando a maior risco de rompimento das placas de gordura culminando em infarto. 

    Não só o coração pode ser afetado durante ou após infecções. Os vasos sanguíneos também podem ser afetados particularmente os vasos do pescoço podendo ocorrer dissecção (um tipo de dano vascular), que pode resultar em acidente vascular encefálico ou outros danos neurológicos igualmente severos. A boa notícia é que temos vacinas contra patógenos como influenza e Streptococcus Pneumoniae que levam a infecções corriqueiras como o resfriado, gripe ou pneumonia. A relação entre infecção e risco cardiovascular é tanta que já temos evidencia de que a vacina contra influenza previne mais recorrência de eventos agudos do coração do que propriamente a própria infecção. Apesar disso, não temos evidência de redução de mortalidade cardiovascular pelo emprego de vacinas. 

    Em conclusão, as vacinas são recomendadas pela maioria das sociedades de saúde internacionais principalmente em pacientes com doença cardiovascular estabelecida. Elas podem reduzir a recorrência de eventos cardiovasculares e seu benefício é maior quanto maior o risco do paciente. Que tal começar o ano com a carteira de vacinação atualizada? Seu coração agradece!


Referência: 

https://doi.org/10.1016/j.hjc.2019.09.002